Casa da Música

“O Museu da Imagem e do Som do Abaeté”. Esse era o titulo do projeto inicial da Casa da Música, que foi inaugurada em 03 de setembro de 1993, juntamente com as obras de recuperação do Parque Metropolitano Lagoas e Dunas do Abaeté, com o objetivo de abrigar acervos (literatura, instrumentos musicais, objetos) que retratem a história da música baiana. Hoje a Casa da Música é um Espaço Cultural que tem como principais desafios fomentar a produção cultural da comunidade e contribuir para a democratização do acesso a cultura. Realizamos dentre outras atividades: Exposições temporárias, Saraus e Bate Papos Musicados, sempre com temas ligados a música.

O Blog tem como objetivo divulgar as ações que acontecem na Casa da Música, que tem como missão a preservação da memória da música baiana e fomento à cultura na região.

A casa da Música fica localizada no Parque Metropolitano do Abaeté s/n Itapuã. Funcionamos de terça a sábado das 9h ás 17 e aos domingos das 9h ás 16h.

Maiores Informações: Telefax – (71)3116-1511 casadamusica.funceb@gmail.com

Reportagem Revista Vilas Magazine

Casa da Música… – Oxigenação Cultural em Itapuã

Por Gilka Bandeira (Free lancer para a Vilas Magazine)

É bom passar não só a tarde, mas também a noite em Itapuã. Houve época em que turmas de jovens saídos dos quatros cantos da cidade costumavam fazer serenatas nos altos das alvas e frias dunas iluminadas pela lua cheia do Abaeté. Os tempos mudaram e o medo da violência, deixada de ser exceção, acabou com o que era doce.

Agora, após outras sucessivas viradas da ampulheta, já é possível voltar a passar uma boa noite em Itapuã, nos Saraus da Casa da Música, que desde 2007 acontecem quinzenalmente às segundas-feiras. Bem próximo à lagoa escura rodeada de areia branca, num aconchegante espaço entre jardins dentro do Parque Metropolitano do Abaeté.

Voluntariado
Saraus de Itapuã
Sobre a Casa da Música
Papo Musical
Perspectivas
Workshops
Mais Informações

Voluntariado – Ali, as variadas expressões artísticas, as atividades culturais se mesclam com a comunidade e favorecem a convivência dos artistas com seus pares, deles com o público, do público com os moradores, destes com os vizinhos.

As sessões, que começam às 18 horas, incluem exposições de artes plásticas, exibição de filmes, apresentações de dança e música, declamações de poesias, lançamentos de livros e cds, entre outros, num ambiente descontraído onde não falta o de comer e de beber a incrementar, mais ainda, a camaradagem ou mesmo a comadragem.

A venda dos quitutes como acarajé, mingau de milho verde, bolos, empadas, refrigerantes, etc. a cargo de alguns moradores do bairro, além de servir como fonte de renda, também se constitui numa forma de integração da comunidade.

São as únicas coisas pagas por ali. O mais é gratuito, regido pelo voluntariado, tanto da equipe organizadora dos saraus quanto dos artistas que neles se apresentam sem cachê algum, ainda que sejam os famosos como Jackson Costa, Jussara Silveira, Luiz Brasil, Jorge Vercilo, Armandinho, Margareth Menezes, Gereba, Mariene de Castro, Bule-Bule, Jota Veloso, Raimundo Sodré, Xangai, Carlinhos Cor das Águas, Luís Caldas, que por lá já passaram.

Mas não só de celebridade vive os saraus, os não tão famosos também têm lugar garantido. Um dos propósitos do evento realizado em parceria com a IMA (Independência Musical Associada) é propiciar a difusão da música independente produzida em Salvador e gerar uma programação de qualidade para o público.

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Saraus de Itapuã – A IMA já vinha realizando atividades no SESI Rio Vermelho, no Garcia e no Santo Antonio, com os projetos Pontos Magnéticos e Noites Independentes, com a intenção de divulgar a música que fica de fora da indústria cultural.  E da parceria com a Casa da Música (Fundação Cultural do Estado da Bahia) nasceu o Sarau de Itapuã, privilegiando a comunidade com eventos gratuitos.

O primeiro foi realizado no dia 27 de agosto de 2007. E segundo Amadeu Alves, coordenador da Casa da Música, “vem sendo de grande valor no trabalho de revitalização cultural do bairro de Itapuã e especificamente na famosa Lagoa do Abaeté, voltando a ser visitada por famílias e pessoas de todas as idades interessadas em cultura”.

De lá para cá, incontáveis saraus foram realizados, tendo agora um público cativo, acrescido dos que vão ver determinada atração do dia, resultando uma média de 100 pessoas por sarau, o que é bem significativo para uma noite de segunda-feira. Para Amadeu isto é uma evidência de que a Casa da Música está cumprindo seu papel de espaço cultural público.

“As pessoas da comunidade e visitantes demonstram uma grande satisfação, tanto pela qualidade do ambiente, quanto pela qualidade da programação. A Casa da Música está tendo uma boa visibilidade na imprensa, na internet, na divulgação boca-a-boca. A própria Fundação Cultural tem voltado a atenção de uma forma efetiva para este espaço, equipando-o com materiais imprescindíveis para a realização de atividades culturais.”

Com isto vários artistas e grupos têm procurado a Casa da Música para integrar a programação, chegando a ocorrer fila de espera, apesar de não haver nenhum cachê. Ao fim de cada sessão a equipe organizadora do Sarau – composta por Geane Guimarães, Leonardo, Analu Franca, Tina Ribeiro e Tereza Machado se reúne e debate sugestões, definindo a programação seguinte.

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Sobre a Casa da Música – A Casa da Música foi inaugurada em 3 de Setembro de 1993 com o propósito de preservar a memória da música baiana, reunindo acervo documental em diversos suportes e o disponibilizando-o para consulta pública.

Segundo Amadeu, “ao longo desses 16 anos a Casa passou por um processo de mudanças, pois as bases de sustentação da proposta de ser o Museu da Música da Bahia não foram mantidas, como por exemplo, a parceria com o IRDEB e toda a estrutura de recursos para a disponibilização pública que tinha no início.”

Sitiada numa Área de Proteção Ambiental, a Casa funciona como um espaço cultural recheado de história, no qual se destaca a relíquia, que é a FOBICA (1º Trio Elétrico). O acervo é constituído de fitas VHS, CD´s, DVD´s, LP´s, livros, documentários. Também estão sendo incluídos depoimentos, registros de trabalhos de artistas locais e da Bahia em geral, resgate e memória da comunidade de Itapuã, através de recursos digitais, com a perspectiva do desenvolvimento de um novo projeto na área de preservação da memória musical e cultural.Com isto, há ainda a possibilidade de vir a ser um infocentro voltado para o universo da música e suas tecnologias.

Amadeu explicou que trabalham com programações integradas (exposição, bate-papos musicados, saraus), que duram em média dois meses, em torno de um tema central. “Nos meses de março/abril o tema central foi a água/a integração cultura e meio ambiente, agora (maio e junho) estamos com o tema ligado à cultura afro-descendente, julho e agosto estaremos com um trabalho voltado para a cultura indígena.”

Para setembro, outubro e novembro, a programação terá com tema A Música na História da Humanidade, incluindo debates sobre o papel do músico hoje, com o projeto “Sabatina Musical” e uma possível parceria com a Rádio Educadora.

Além dos eventos culturais (saraus, bate-papos musicados, exposições), a Casa oferece oficinas de canto e flauta doce, gratuitas para a comunidade. Funciona de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos, das 9h às 16h. Em dias de sarau abre às segundas a partir das 17hs e também para programações extras.

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Papo Musical – O Bate-papo musicado acontece todas as sextas-feiras, a partir das 14 horas, entrada franca, com uma temática definida previamente ou escolhida de forma espontânea pelos participantes, segundo seus interesses e perfis, sempre regados à música.

Para se aquilatar a qualidade das atividades, vale enumerar alguns temas já tratados: “Retrato sonoro de Canudos” com Gereba, Fábio Paes, Manoel Neto, Antonio Olavo, Trípoli Gaudenzi, Roque Araújo, Rita Barreto; “Retrato sonoro dos Malês” com Eduardo, Josélio Araújo e Gereba; “Retrato sonoro do baião” com Gereba e convidados; “Politicas públicas de radiodifusão” com Mario Sartorelio; “Disseminação da cultura de rua” com Mini-stéreo Público; “Primeiros parceiros de Raul Seixas” com Waldir Serrão e Thildo Gama; “A trajetoria do músico e os caminhos da profissionalização com Sérgio passos; “100 anos de Cartola” com Roberval Santos; “Palestra musical afro-barroca” com Mateus Aleluia (Tincoãs); “Bando anunciador; o resgate de uma tradição”; “Percussão contemporânea” com o Trio Sacramento; “Cantigas que encantam” com Raimunda Rodrigues Pedro e Estelita; “Santo Amaro de Ipitanga e Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, freguesias irmãs” com Emanoel Paranhos e Gildásio Freitas; “Politicas Públicas de Reparação e Cotas na Universidade” com Marta Rodrigues e Nilton Luz; “O Samba como instrumento de resistência” com As Ganhadeiras de Itapuã, Meninos do Dendê, Sidnei Argolo, Ulisses e Seu Regi; “O Reggae e o Hip Hop Como Instrumento de Resistência” com Dick (SAN), Júnior Pimenta (Nação Livre), Tiago Santos (Movimento Hip Hop).

Estes eventos, além do valor intrínseco, mostram que mesmo sem muitos recursos é possível realizar, sendo portanto, estímulo e um exemplo a ser imitado.  Como Amadeu faz questão de frisar os resultados alcançados se devem ao trabalho de equipe dos voluntários e dos funcionários: Vanice Freitas – Assistente direta da coordenação
Juçara Miranda, Ramalho, Marina Argolo, Ademildes, Jaci e Leonardo.

Quanto a IMA, criada em 2006, é uma associação de músicos, produtores e auto-produtores que através da provocação do Sebrae, com o POMBA (Pólo de Música Independente da Bahia), a definiram como estratégia de atuação no cenário atual da música baiana e brasileira.

Trata-se de uma ação coletiva para a participação em feiras, como as do Ceará, de Recife, Brasília, no próprio Mercado Cultural em Salvador, se integrando à economia da cultura, buscando os meios de capacitação em elaboração de projetos, se inteirando das políticas públicas, editais, etc. E realizando pequenas e significativas ações de parcerias, como é o caso do Sarau de Itapuã na Casa da Música.

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Perspectivas – O Sarau, além de propiciar uma boa noite em Itapuã, promovendo a integração da comunidade local e dos visitantes, e a revitalização cultural do bairro, muito influi na abertura de novas perspectivas culturais. Vindo somar-se a outras iniciativas, que levam ao coordenador da Casa da Música – que também é experiente compositor e instrumentista, a afirmar:

“Vejo um cenário oxigenado pelas novas experiências feitas por ativistas culturais em diversas partes da cidade de Salvador e também no interior do estado, sendo importante ressaltar a política de descentralização dos recursos que a SECULT/FUNCEB vem fazendo, com um tratamento digno para todo o estado.”

E continuando a análise do atual momento cultural, salientou: “As pessoas resgataram o sentimento de que é possível fazer algo fora do “show business”, pequenas ações, que se somando começam a dar uma nova atmosfera, bem mais ventilada, num ambiente que há muito estava viciado.”

Portanto, “a perspectiva é de que surjam novos movimentos, desde que as ações sejam constantes, persistentes e não tenhamos nenhum grande acidente de percurso. Claro que não é fácil chegar num novo patamar, com horizontes mais largos para uma escala maior da população, mas estamos fazendo nossa parte.” Concluiu Amadeu Alves.

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Mais Informações:
Interessados em conhecer de perto o trabalho da Casa da Música, devem agendar uma visita ao local. Informações sobre a programação podem ser obtidas pelo telefone 3116-1511 ou encontradas no blog casadamusicabahia.wordpress.com.